Pensamentos

Atenção com o Medo

Drª. Maria Tude  ( Psicologa )

Como tudo na vida, também o medo tem uma medida certa. Emergindo em resposta ao alerta emitido pelos nossos sentidos, passando pelo crivo de nossa inteligência, o medo revela-se o aliado valioso que nos sugere cuidado, atenção, prudência, em momentos de perigo real e imediato. Ele faz "detonar" em nosso corpo hormônios que nos favorecem a fuga ou o enfrentamento das situações de risco.

            Quando, porém, ele aparece em resposta à crenças e pensamentos irreais, derivados de terríveis expectativas futuras ou horríveis lembranças recorrentes, de ameaças nascidas de fantasias torturantes, ele torna-se, ele próprio, um perigo para nós!
Na medida em que vamos entregando o comando de nossa mente, o medo, como resposta, vai levando-nos a construir sofisticadas, variadas e poderosas defesas, físicas, psíquicas e químicas, que nos cercam, cerceiam e acabam por nos aprisionar! E lá, de dentro de nossas defesas, continuamos com medo, continuamos a buscar defesas mais seguras e vamos ficando isolados, sós, cada vez mais desconectados de um mundo que nos parece tão perigoso e tão maldoso... E, cada vez mais, também, incapacitados de amar, de trocar, de compartilhar, porque tudo e todos representam algum tipo de ameaça!

            Um ego/mente desgovernado traz muita dor e mais medo! É preciso, então, entrarmos em contacto com uma dimensão mais poderosa, que possa nos trazer proteção, equilíbrio, que nos conecta com a realidade, com o aqui/agora, que nos faz sentir a força necessária para enfrentarmos as dificuldades de cada momento, até mesmo as imaginárias. Essa dimensão, a Espiritual, tem o poder de nos acalmar, de trazer segurança interna e serenidade. É ela que nos liberta, que afugenta nossos medos!

Atenção com nossos medos, atenção com os pensamentos que os detonam! O processo do descaminho de nossos pensamentos é sutil, é enganoso... Ele se faz, muitas vezes, aos poucos, criando pequenos medos, repetidos medos, variados medos, dando motivos à mente que os criou para justificá-los, para iniciar a construção das defesas (rituais, interdições, manias...) e buscar o uso dos químicos que os anestesiam. Somos convidados, enfim, a sermos prisioneiros de nossas "zonas de conforto" e segurança! Atenção para não nos tornarmos permissivos e acomodados!

            O medo é um alerta! Atenção para ele: o momento é de perigo real ou apenas uma distorção de minha mente?  É preciso firmeza e perseverança para fazer a minha parte, a minha "lição de casa", não viajar nas hipóteses, buscar sempre a lucidez do real que se apresenta.  É preciso o bom senso e a energia de nossa dimensão espiritual. E é preciso perseverança e boa vontade para buscar sempre essa conexão.
Essa é minha responsabilidade!

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