Por Antonio Soares

Quantas vezes estamos ou nos sentimos solitários no meio da multidão. Estar na presença de muitas pessoas não significa, em muitos casos, que sejamos parte desse todo. O sentimento de pertencer ou de pertencimento tem outra dimensão que extrapola o simples “estar juntos”.

Para pertencer é necessário que haja comunhão de ideias, de pensamentos e de ações comuns a todos e que o ideário desse grupo convirjam para um mesmo fim. Quando não se comunga das mesmas ideias, dos mesmos pensamentos e das mesmas ações instala-se um estranhamento. Há ai um alheamento, uma frustração de considerar-se um estranho no ninho. Instala-se a percepção da solidão, de estar só. Isso se dá porque não há uma interação entre os participantes ou o individuo não consegue ver e sentir algo que lhe traga satisfação, alegria ou o que lhe possa preencher suas aspirações ou desejos.

Nesse caso pode-se considerar que falta uma clara compreensão ou até de aceitação de si mesmo. Esta possível dificuldade de compreensão e aceitação de si mesmo torna-se para o individuo um dilema ou quem sabe até um tormento do qual ele não é capaz de se livrar por si mesmo. Seria bom que procurasse uma resposta para tal dissociação daquele todo em sua volta.

Paradoxalmente, um indivíduo pode estar só, porém integrado a uma grande rede de pensamentos, de sentimentos, de ações comuns e de fraternidade e companheirismo. Para tanto é necessário que se tenha consciência da sua dimensão neste mundo; De sua importância para si e para o outro e humildemente reconheça que faz parte de uma grande engrenagem ou de uma corrente cujos elos têm a mesma importância para a sustentação desse sentimento de pertencimento, de respeito e de companheirismo e que sem os demais elos haverá apenas parte de um grande todo ou de uma forte e robusta corrente que se tornarafraca pela fragmentação.

Não é demais dizer que a autoestima e o amor próprio não egoísta é a chave da libertação de uma possível sensação de isolamento e de solidão. O amor ao próximo. O dar sem esperar recompensa. Proporcionar ao menos favorecido algo que possa, para si, significar tão pequeno, materialmente ou não, mas que na vida do outro fará uma grande diferença entre o ter e o não ter; entre o ser e o não ser. É cercar-se da crença ou da fé de que “outros” valem tanto quanto eu valho; merecem tanto quanto eu mereço.

Estar só, ficar sozinho, não ter ninguém por perto só se traduzirá em solidão se o coração estiver preenchido por preocupações vãs e sofrimentos tolos. Se a mente não tiver outra ocupação que lhe traga satisfação; se faltar o sentimento de realização, de amor e de gratidão pelo dia que lhe é concedido para viver da melhor forma possível.

Que seus  bons fluídos espalhem para que todos dele possam absorver e sentir o quanto é capaz de sozinho, sem ninguém por perto ligar-se a diversas pessoas, a uma multidão de amigos e de anônimos e assim sentir-se parte de um todo.