Lembro que, não faz muito tempo, eu acumulava pessoas à minha volta. “todo mundo tem uma história”, dizia eu para eu mesma, e por isso insistia em me relacionar com pessoas que nem sempre se encaixavam no meu momento de vida. eu vivia em situações em que, mais cedo ou mais tarde, pintava uma perguntinha na minha cabeça: “o que estou fazendo aqui?”

essa pergunta normalmente aparecia quando eu ouvia um comentário preconceituoso, quando se julgava negativamente alguém ou quando as conversas giravam em torno de pessoas, e não de ideias.

e eu, fingindo risadas de coisas que não achava graça e, pior ainda, repetindo comentários parecidos para não me sentir tão deslocada, terminava o dia sentindo vergonha de mim mesma e da minha carência.

a verdade é que sim, todo mundo tem uma história. mas para o dia a dia, para o relacionamento constante, é preciso que as histórias batam. que seja possível sentar com alguém e se sentir simplesmente… em segurança.

semana passada notei que no último ano essa pergunta não surge mais. notei que com um trabalho constante de desapego, é possível me manter rodeada de pessoas que acho interessantes (e, como dizem por aí, se você é a pessoa mais interessante da sala, procure mudar de sala.) pessoas que, muitas vezes, também já se fizeram a mesma pergunta.

eu podia ter notado isso em várias situações no último ano: podia ter sido durante as surubas vegetarianas com pessoas que não vou citar por respeito, durante as fotos nuas e peludas com o pessoal do coletivo além, ou ao usar a casa e as roupas da let enquanto ela gravava chamadas para seu programa de televisão. podia ter sido ao viajar pra ilha grande com amigos tão maravilhosos que nada que desse errado era um problema, podia ter sido ao participar de projetos de gente legal fazendo coisa legal (pessoal da tv folha, tv uol, espaço humus) ou podia ter sido durante os encontros com leitores do alex castro. podia ter sido na primeira, na segunda, ou na décima cama/sofá/colchão estranhos em que dormi em 2013, sendo hospedada por gente que é tão do bem que aceita estranhas da internet em casa e também podia ser ao encontrar tanta coisa em comum com a namorada de um amante (ou ex-amante? sei lá, pois todos vivemos relacionamentos livres sem muito começo ou fim.)

eu podia ter notado isso em várias dessas situações, mas só parei para pensar nesta noite específica. uma noite em que eu, meu companheiro e duas pessoas lindas que acabávamos de conhecer estávamos livres para sentar e conversar.

e uma dessas pessoas lindas nos contou sua história. uma história que além de conter uma vida adulta cheia das histórias que a vida adulta nos traz, me marcou por uma coisa: a juventude com bullying. e ela continuou contando: na época até marcou a data do suicídio e foi por um acaso do destino que ele não aconteceu.

e me lembrei da minha própria juventude: o bullying e o suicídio marcado e tentado. e foi por um acaso do destino que ele não aconteceu.

eu sonhei com essa pessoa linda esses dias. estávamos dançando em cima da cama!

foi neste dia que parei e percebi que ultimamente minha pergunta é: “por que será demorei tanto para estar aqui?”

as pessoas que não fazem mais parte da minha vida tiveram a sorte de se encontrarem. hoje, entendo como elas se sentem, pois também estou a encontrar e reencontrar meus pares.

por Claudia Regina

 

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Um pouco mais sobre o editor...

Airton Maia

- Fundador & Editor

Oi! Sou Airton Maia, gosto de compartilhar o bem, sou um entusiasta embora sou horrível para escrever, esse foi o intuito desse blog, tentar evoluir e ajudar outros a pensarem diferente cada um no seu tempo.

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